Se um zumbi estiver escondido atrás de uma parede, seu primeiro instinto provavelmente será procurar outro caminho. Zombie Soldier não deixa você fazer isso. O soldado fica parado no mesmo lugar, o zumbi continua atrás do obstáculo e a única coisa que você realmente pode mudar é o ângulo do tiro. De repente, um jogo de zumbi vira um pequeno problema de geometria: onde atirar para fazer a bala quicar até o ponto certo? É isso que faz Zombie Soldier no Woko Games, da MadBuffer, ser mais interessante do que parece no começo.
O jogo tem atualmente 15 níveis na tela de seleção. Cada fase usa uma combinação diferente de zumbis, blocos, caixas de madeira, barras de metal, correntes e outros objetos. Os primeiros níveis são bem fáceis de entender, mas depois de algumas fases os zumbis começam a aparecer em plataformas altas ou escondidos atrás de várias camadas de obstáculos. Nesse ponto, atirar direto no alvo quase nunca é a melhor opção.
Seu personagem não pode se mover. O soldado fica parado em um lado da tela e você precisa eliminar todos os zumbis a partir daquela posição. Eu gosto dessa limitação porque ela obriga você a olhar para o nível inteiro em vez de focar apenas no inimigo. Se não pode mudar a sua posição, precisa descobrir como usar tudo ao redor.
As balas podem quicar nas superfícies. Essa é facilmente a minha mecânica favorita do jogo. Alguns zumbis ficam completamente fora da linha de tiro direta, mas se você mirar em uma parede ou bloco no ângulo certo, a bala pode ricochetear e atingir o alvo mesmo assim. Ver um tiro quicar por várias superfícies e acertar um zumbi escondido atrás de um obstáculo é bem satisfatório, principalmente quando parecia impossível alcançá-lo no começo.
Os objetos em cada fase também não estão ali só para decorar. Barras de metal, blocos, postes de madeira e estruturas penduradas por correntes podem fazer parte da solução. Uma bola pesada pendurada acima do cenário, por exemplo, pode ser usada contra zumbis que estão abaixo. Em alguns momentos, eu passei mais tempo olhando para uma ponte, corrente ou poste de madeira do que para os próprios zumbis, porque era o ambiente que realmente mostrava a solução.
As armas também podem mudar de uma fase para outra. Em alguns níveis, o soldado usa uma MG, enquanto outras fases podem oferecer uma arma diferente. Gosto desse detalhe porque evita que a progressão fique repetitiva. Não são apenas as posições dos zumbis e dos obstáculos que mudam. A forma de pensar cada tiro também pode depender da arma que você está usando.
O jogo acompanha quantos zumbis você eliminou e quanto dinheiro ganhou durante o nível. O contador Kill facilita ver quantos alvos ainda faltam antes de limpar toda a área. Gosto de ver esse número diminuindo, principalmente quando sobra apenas um zumbi em um canto difícil e a fase inteira vira uma pergunta: “Como faço a bala quicar até lá?”
Os níveis com zumbis em diferentes alturas são provavelmente os que eu mais gosto. Um grupo pode ficar no chão, alguns em plataformas elevadas e outros atrás de obstáculos. Nesse momento, eu paro de pensar “Qual zumbi devo acertar primeiro?” e começo a pensar “Para onde a bala vai depois do primeiro ricochete?”. É aí que Zombie Soldier começa a parecer mais um puzzle de física do que um shooter comum.
Alguns objetos também podem cair, rolar ou atingir os zumbis depois de serem ativados. Por isso, a bala nem sempre precisa acertar o alvo diretamente. Às vezes, o melhor tiro é simplesmente aquele que coloca outra coisa em movimento e deixa a gravidade fazer o resto. Essas soluções são divertidas porque parecem mais um truque bem pensado do que apenas uma mira melhor.
O sistema de estrelas também dá um motivo para repetir as fases. A tela de seleção mostra três espaços de estrelas para cada nível, e a tela de vitória mostra o resultado alcançado. Terminar uma fase não significa necessariamente que você acabou com ela. Se sua solução ficou meio bagunçada, você pode voltar e tentar encontrar um jeito mais limpo de terminar.
Visualmente, Zombie Soldier é claro e cartunesco. Zumbis verdes, fundos de deserto laranja, cactos e blocos amarelos deixam cada fase fácil de entender. Acho que esse estilo funciona melhor para esse tipo de gameplay do que um visual muito escuro, porque você precisa reconhecer rapidamente o que é alvo, obstáculo e superfície para ricochetear a bala.
O jogo também não leva o tema de zumbis muito a sério. Os zumbis se desmontam de forma cartunesca, partes podem sair voando e o soldado continua parado, bem tranquilo no meio de tudo. No geral, parece mais um puzzle arcade leve do que um jogo feito para assustar.
O que normalmente me faz continuar para a próxima fase é aquela sensação de “esse ângulo deve funcionar”. Você atira, a bala quica para o lado errado e quase imediatamente começa a pensar em outro ângulo. Quando finalmente encontra a trajetória certa e acerta o alvo depois de alguns ricochetes, parece mais que você resolveu um pequeno puzzle do que simplesmente puxou o gatilho.
Zombie Soldier no Woko Games usa uma ideia muito simples: você fica parado, enquanto as balas e o ambiente fazem o trabalho. Os zumbis podem se esconder atrás de caixas, ficar em plataformas altas ou parar em um canto bem chato, mas se você calcular o ricochete certo, às vezes um único tiro bem feito resolve a fase inteira.





